Eu tenho dois amores especialíssimos. Que me fazem rir e sempre me recebem felizes como se eu fosse o humano mais especial do mundo. Pulam, gritam, fazem manha, me perseguem. Amores de quatro patas. Amores-cão.
A primeira, Drica, uma boxer de quase 10 anos. Era o filhote mais feio da ninhada que me conquistou com a carinha de dó, e as bochechas gordas penduradas. Foi uma grande companheira, e o é até hoje. Chorou na primeira noite, roeu muito sapato, furou muito tapete e cavou muito vaso de planta. Cresceu depressa e virou uma cadela obesa. Sofria quando viajávamos. É obcecada por pães, só de ouvir o barulho do saco de pão já fica doida. Aprendeu a sentar e dar a pata sem esforço. Teve a doença do carrapato estrela, um fungo na orelha, uma úlcera no olho. É cardíaca. Apanhou de chinelo, de tapa, de vassoura, do que tivesse perto. Adotou um porco de pelúcia como filhote. Nunca namorou muito menos teve filhotes. É inteligentíssima, educada, não pula no colo, não liga pro portão aberto, adora andar de carro, sai se pedem licença e baba quando vê comida. Enche a boca de comida e espalha pelo quintal todo deixando minha mãe furiosa. Há pouco deixou de ser um cão calmo e tranqüilo, voltou à vida ativa. Corre, brinca e dorme, dorme muito. Nunca vi um cachorro dormir tanto. Acorda de manhã para comer e dorme o resto o dia. Assusta as pessoas pelo tamanho e a fuça achatada. Não morde, pelo menos nunca mordeu. Não faz mal para uma mosca. É uma criança, o meu bebê. Por mim, viveria eternamente. Sofro em pensar que ela pode ir embora um dia e tenho convicção de que nunca existirá um cachorro como ela. Que só falta falar para ser humano. A minha monstra, Dricão que sempre me recebe feliz rebolando com seus pêlos dourados e brilhantes.
Brincam, correm. São irmãs. São dois motivos de felicidade e fúria. Alegram a casa. A vida da gente. Mas também dão: dor de cabeça, custos (comem muito), agonia de pensar em ficar sem alguma. Cachorro é assim, um pedaço da vida da gente. Um pedaço de contentamento e vida.
lindas palavras.
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