2 de agosto de 2013

Vagabunda é a mãe

Saia curta é vagabunda. Pegou de primeira é vagabunda. Bebe demais é vagabunda. Dança até o chão na balada é vagabunda. Conversa com todo mundo é vagabunda. Tem amigos homens é vagabunda. Mãe solteira é vagabunda.
Se bem que, hoje em dia ou a mulher é beata ou vagabunda.
Mania besta de julgar pela aparência. É um clichê falar isso, mas esse chavão de julgar pela casca é uma realidade dessas de mão pesada que vive a dar tapas na cara da gente.
Você vai lá, olha a pessoa e pimba. Fulana é isso, Cicrana é aquilo. E não preciso fazer nenhum levantamento de dados com base em pesquisa do IBOPE pra saber que as mulheres são as mais alfinetadas. Convivo com homens, e sei que homens falam de mulheres. Convivo com mulheres, e sei que nós falamos de nós e das outras. Isso basta como base.
Engraçado né, se você, mulher, sair de casa usando calças de moletom e uma camiseta largona, vai passar despercebida, como uma zé ruela qualquer. Agora, experimenta colocar um shortinho que cabeças vão rodar 360° só pra te ver passar. Como assim? Porque a gente não pode sair livre por aí?

Quando eu era mais nova (com 18, 20 anos)  não me importava em sair com qualquer roupa, a qualquer hora do dia. Porém, as malícias da vida te deixam mais esperta. E embora eu ainda continue usando shortinhos como se não houvesse amanhã, eu sei que tem momentos em que um shortinho não vai ser legal pra mim, SIMPLESMENTE porque um ser humano babaca vai me julgar por causa do meu shortinho. “Olha aquela ali do shortinho”, “essa é daquelas”, “usando esse shortinho”.  Ok, muitas merecem o rótulo porque fazem por merecer. Mas e as outras?
(pausa)
Existiu uma época em que mulheres não podiam usar calças. Outra em que elas não podiam mostrar os joelhos. Hoje, é a popa do bumbum que (ainda) fica escondida, daí pra baixo, tá tudo liberado. Todo mundo tá cansado de saber que a saia a vácuo bomba na balada. Que o Hot Pant (aquele short de cintura alta e beeeeeeeeem curto) vai da faculdade ao supermercado. Então porque olhar e rapidamente associar figura e julgamento.
É aquele esquema. Filho, vagabunda é a mãe. (não que a mãe seja, ok?)
Mulher é mulher, tem que mostrar mesmo, tem que se sentir bonita, tem que usar a roupa que achar que deve usar naquela hora, tem que ser mulher. Deixa a calça de moletom pra usar em casa e manda ver no jeans justo. Deixe as passarelas europeias falarem sozinhas, só você sabe o que é que você gosta e o que é te faz bem.
Mulher é a parte boa da criação do ser humano. Não foi a Eva que mordeu a maçã? Pois então... Cada mulher com o seu tipo, sem perder a sua essência de mulher e sem julgamentos precipitados. 




música: Daft Punk - Get Lucky  (we've come too far to give up who we are...)

27 de junho de 2013

crise ambulante

Quando eu nasci, entrei em crise de choro. Todos os bebês choram ao deixar a tão confortável, úmida e quente barriga da mãe. Eu fui mais um entre os as centenas ou milhares, de bebês que nasceram naquele 28 de fevereiro.
Logo tive as crises de bronquite. Tosse, inalação, um tubo de oxigênio com rodinhas e uma tartaruga embaixo da cama. Dizem que a simpatia da tartaruga funciona, não sei, eu me curei.
Tive crise de personalidade, identidade, particularidade. A gente tem isso o tempo todo. Quer me ver provar? Quantas coisas você quis ser na vida? No mínimo duas.
Astronauta, veterinária, hippie, andarilha, chef de cozinha. É uma confusão sem tamanho essas minhas crises profissionais. Não consegui ser nada disso, não, como eu poderia dizer... Profissionalmente!
Como esquecer as crises de estômago? E as dos rins? E as dores de cabeça? As crises de amor... Vivo em crise, com algo, alguém, ou comigo mesmo. Preciso sempre estar em crise com outro elemento do universo. Algo precisa me incomodar, me provocar e me cutucar dizendo: Oh menina, acorda aí.
Talvez as minhas asas sejam grandes demais pra uma pessoa tão mirrada que vive de dieta e café. As asas da imaginação, as asas da lucidez. As asas da menina que viaja na maionese. Essas asas de eloquência que ficam presas e sufocadas dentro de nós fazendo cócegas dentro da gente.

São asas facilmente traduzidas em palavras. Crises alfabéticas que se desdobram sobre teclados e cadernos. São notas de voz na madrugada, recadinhos colados na cabeceira, lembretes no celular. 
É. Não são asas de Ícaro, pois quanto mais alto eu chegar, quanto mais eu me aproximar do sol, eu sei que mais fortes elas ficarão. Mas antes, vou ali ter uma crise e já volto.



Maroon 5 - Love Somebody 

9 de junho de 2013

"De todos os loucos do mundo...


eu quis você. Porque eu tava cansada de ser louca assim sozinha". (Clarice Falcão)

Quando as relações começam? Porque sabemos que a pessoa é A pessoa? O que faz crescer um desejo tão grande de se ver? Não tem resposta, não tem fórmula.
A vida coloca a gente frente a frente. A gente se reconhece, se entende, se ama e namora.
Esse é o Dia dos Namorados mais legal que eu já tive, provavelmente. 
Sempre me comparo a quem eu fui antes de (te) namorar.
As roupas que me cabiam já não me cabem mais.
Os meus filmes preferidos ficaram pra trás.
Minhas comidas prediletas abriram espaço pra outras mais apetitosas.
A cor das unhas passou de vermelho pra preto.
Aquelas canções que me faziam suspirar hoje nem fazem tanto sentido.
Minha bebida mudou pelos menos umas três vezes.
Eu tenho olhos mais brilhantes, pele sempre rosada, coração sempre cheio.
Meus lábios guardam sorrisos e minhas mãos estão abertas esperando as suas.
É só comigo essa sensação?
Faz todo sentido.
O amor entra como uma nova camada de pele.  É “Extraderme”. É o que faz você sonhar, você ver o céu azul, acreditar na humanidade, chorar com cenas de romance e saber que tem alguém que vai ouvir você contar da sua dor de barriga ou daquele almoço na sua avó.
A amizade é um amor que nunca morre, e Quintana estava certo. Afinal, pra amar é preciso ser amigo, parceiro, companheiro. É uma matemática: você soma a sua vida pra dividi-la com alguém. Subtrai a solidão pra multiplicar bons momentos.
Namorar não é assumir em público, não é mudar o status no Facebook ou dedicar postagens no Instagram.  É acordar e saber que ele existe. É saber que o amor está ali, pronto pra ser consumido, consumado. É acreditar no futuro e planeja-lo em guardanapos de papel ou noites de bebedeira. É fazer juras de dez segundos, dividir o canudinho do refrigerante e rir do outro quando ele tropeçar.
Namorar é taquicardia, sudorese, ansiedade, endorfina. É apelido idiota, mensagem de boa noite...
É paz.
Namorar é muito legal. Bobo de quem não namora. Azar de quem nunca encontrou um namorado(a) dessas que te faz muito feliz (você vai encontrar).
Namorar é abrir a porta de pijamas, esquecer que você tá com cabelo despenteado, ou ir de chinelos ao restaurante. Namorar é vestir alegria.
Namorem, muito. Aliás, namorem pra sempre.
Namorar é discutir, brigar, sentir ciúmes, ficar irritado. Mas depois abraçar e ver tudo em slow motion.
Namorar é namorar.

E esse post é pra você namorado. Ah, Vadinho. Obrigada! Eu nunca mudei tanto. Nunca tinha chegado a esse ser quem sou hoje. Eu sei cheiro, seus gostos, o jeito que você penteia o cabelo, o barulho que faz quando bebe água, sei de que jeito vai me abraçar, como dorme, seus tiques nervosos e a maneira como mexe o gelo na vodka. Namorado melhor não há. Vamos namorar mais um pouco né?
Te amo pin.




Música: Maria Gadú – Quando fui chuva 




28 de maio de 2013

blá blá blá

Tanta coisa pra viver, tanto mundo pra explorar e a gente ainda se prende a coisas tão fúteis. Tanto céu pra ver, estrela pra contar, tanto pôr-do-sol pra assistir e ainda assim ficamos presos vendo televisão. Se faltares hora no teu dia, talvez você esteja dando mais tempo para o que não é tão importante assim. Reorganize.
Há tempos eu venho admirando mundo, diria que isso acontece há três anos. Depois que entrei pra faculdade de Jornalismo desenvolvi um caráter mais apreciativo e claro, crítico. Tenho observado mais e falado menos. Tudo que vivo, vejo e sinto vai parar no meu diário mental, transformando minha mente em uma caldeira em eterno borbulhar de ideias.
O que eu vejo são pessoas julgando, maltratando, jogando palavras ruins ao vento e se importando mais com o ter, do que com o ser. Eu me incluo nessa às vezes. Meu lado humano é fraco.
Engraçado, em tempos de “ter”, o “ser” é agredido diariamente. Não pode “ser” diferente, gay, negro, simpatizante, travestido, hipster, emo, comum. Não pode ser homem bailarino, não pode ser mulher mecânica. Não pode ser homossexual e namorar em paz, mas também não pode ser mulher e ter atitude.
Todo mundo quer ser It girl, blogueiro famoso, rato e academia e fazer humor na web. Tá ficando chato o mundo. As pessoas estão perdendo a graça. Ninguém critica pro bem, ninguém é amigo do outro sem interesse, mulher não pode achar outra bonita mesmo sendo gordinha, e homem não tira foto abraçado demais porque é “viadagem”.
A minha vontade é mandar um aviso de “Vão a merda” bem grande. Tem uma porção de coisas bacanas pra serem feitas e você aí babaca enfurnado num escritório 24h por dia. Ou vivendo uma vida de aparências, que realmente não combina com você.
Tá bom, o mundo não é um filme de comédia romântica. Mas, se você olhar pro céu 5 minutinhos por dia, e se perguntar o quão grande o mundo é, tenho certeza que vai descobrir muito sobre si mesmo.

O que tá por fora muda, se transforma, fica velho. O que tá por dentro é infinitamente jovem e duradouro, o que tá dentro é o que ninguém tira da gente. 




Música: John Mayer - Heartbreak Warfare 

14 de março de 2013

Carta de amor para um cão

Eu lembro como se fosse ontem, você chegando em casa. Era pequena e desajeitada. Mal sabia andar e tropeçava nas próprias patinhas. Na primeira noite, tive medo de te deixar sozinha no quintal da casa, mas era preciso. Você precisava aprender a ser um cão de guarda.
Drica. Esse foi o nome que eu escolhi para aquela boxer miúda e magra. Drica era o filhote mais feio da ninhada, e a princípio não era o cão que eu tinha escolhido. Foi você que me escolheu quando colocou aqueles olhinhos de jabuticaba em cima de mim. Escolhi você e pedindo licença te tirei da sua mãe, que se chamava Mala.
Eu tinha 11 anos e era uma criança. Você tinha 40 dias e era o meu primeiro cachorro. Foi com muita resistência e chororô que eu consegui convencer a mãe que eu queria você, que precisávamos de um cachorro. Realmente, era o que faltava na nossa casa.
E o tempo foi passando. A primeira vez que viajamos você não comeu. Ficou aqueles sete dias sem comer e quando voltamos, era um filhote de pele e osso. Pouco a pouco seu peso foi voltando e de fato, voltou com força. Você ficou obesa. Era uma rolha canina.
Drica, você não sabe quantas vezes eu chorei por sua causa. Suas peripécias como jardineira deixavam a mãe louca, ela dizia: Eu vou dar essa cachorra. Quantas vezes tive que limpar a terra e as plantas espalhadas pelo quintal, antes de ir pra escola. Eu chorava e mais uma vez tive medo. Medo de te perder.
Mas o tempo, ah, o tempo. O tempo passou e você aprendeu a se comportar. Pelo menos as plantas ficaram a salvas. Já os tapetes... Gorda, você tinha tanta vida, tanta alegria em si. Queria ter gravado tudo, pra te mostrar hoje. Você esteve do meu lado quando as coisas mais importantes da minha vida aconteceram.
São doze anos de uma relação intensa. Doze anos de amor. Doze anos de toco de rabo abanando. Doze anos de espirros e babas. E hoje eu sofro. Sofro por ver você levantando devagar, com dificuldade pra se locomover. Eu sofro em saber que um câncer toma conta do seu frágil corpo de cão idoso.
Drica, eu sofro em saber que os cães não duram pra sempre. Eu sofro tentando entender porque o papai do céu leva da gente as pessoas mais importantes da nossa vida, porque pra mim, você é uma pessoa, é uma irmã.
Queria muito que você pudesse ler, mas sei que você sente todo o meu amor por você quando eu te abraço, quando sento no chão pra te incentivar a comer, quando dou um beijo de boa noite na sua testa. Ê gorda, a idade chega pra todo mundo né? Chega de forma avassaladora nos cães. Mas infelizmente não posso lutar contra o tempo e as vontades divinas. A sua hora está breve, pode ser amanhã, pode ser mês que vem, ano que vem, daqui 5 anos. Não sei. Só sei que enquanto você tiver me recebendo em casa com aquela alegria, eu vou estar com o coração calmo.

Desejo a todo mundo ter um cão como você. Só assim as pessoas vão entender o que é dar sem receber, amar sem esperar nada em troca. Só assim as pessoas vão entender que um cachorro tem coração.
Obrigada por fazer parte da minha vida. E por favor, fica mais, tem Pedigree de sachê sabor Frango ao Molho misturado com aquela ração de cachorro sênior, eu sei que você gosta desse ‘papá’.
Tem Madalena pra cheirar sua orelha e bagunçar seu cotidiano.
Eu te amo,
Mariana.